O Brasil Sweet and Snacks, parceria criada em 1998 entre a Abicab e a Apex-Brasil, apoia empresas brasileiras do setor de chocolates na conquista de mercados internacionais, com foco em capacitação, inteligência e promoção comercial. Uma destas parceiras, a Luisa Abram Chocolates, recebeu neste mês de outubro o reconhecimento de “Cacau de Herança” pelo Heirloom Cacao Preservation Fund (HCP). Para o presidente executivo da Abicab, Jaime Recena, “um prêmio desses justifica todo o trabalho que fazemos, mundo afora, com empresas brasileiras. Pela primeira vez uma fábrica brasileira foi a escolhida, num universo predominantemente de línguas inglesa e espanhola”.
O fundo HCP identifica e protege variedades de cacau de sabor excepcional e valor cultural, conectando agricultores e fabricantes de chocolate fino no mundo inteiro. A premiada é a comunidade Juruá-Novo Horizonte, do Acre, que fornece cacau selvagem da Amazônia à Luisa Abram Chocolates. “Esse reconhecimento equivale aos selos de denominação de origem controlada dos vinhos”, explica a chocolatier Luisa Abram, que dá nome à empresa. Outro pioneirismo: é a primeira vez que o prêmio vai para uma pequena comunidade e não para uma fazenda. Neste caso, liderada pela família Andriola, dos irmãos Osmir e Aires.
Para chegar ao topo, Luisa tentou por cinco anos. “Os formulários são em inglês e espanhol, enfrentamos, portanto, a barreira da língua, que onerou o processo”, explica. Um especialista do Havaí, Daniel O’doherty também foi contratado. Houve, ainda, o desafio da logística: a empresa adianta para os produtores o pagamento da colheita e a carga viaja por rio e estradas. Às vezes leva um mês para chegar na fábrica, em São Paulo. A chocolatier lembrou, também, dos parceiros da Ong SOS Mata Atlântica, fundamentais para o resultado final.
A banca examinadora foi formada por nove especialistas, representando vários países: Trinidad e Tobago, Estados Unidos, França, Suíça e Inglaterra. A entrega do prêmio foi no berço do chocolate Bean to Bar, no Northwest Chocolate Festival, de Seattle, no estado americano de Washington.